Me perdi de mim

Me perdi de mim

Olha lá a minha foto na estante!
Quanta coisa do passado em apenas uma frase…
Estante?
Quem ainda tem estante?
Hoje temos “rack”, “nichos” e outros nomes para porta entulho moderno.

Fotografias reveladas?
Difícil hein!
Hoje temos fotos armazenadas nas nuvens.
E temos tantas fotos, que nem sabemos qual delas vamos usar hoje.

Saudosismo?
Não, quem me conhece sabe que sou a própria tecnologia,
antecipei produtos e soluções muitos anos atrás,
onde riam quando eu dizia que o mundo vai se tornar melhor,
pois a mentira iria desaparecer em pouco tempo.
Não pela evolução moral, que essa estamos bem distantes,
mas, pela evolução digital, que nos mostra escancaradamente nossas verdades.

Mas, hoje, estou absurdamente saudoso de um tempo na velha fotografia,
tempo onde havia tempo além do próprio tempo,
para contemplar o mundo, as pessoas, saborear um café…
Quando a gente parava para ouvir estórias, jogava conversa fora,
e mantinha a vida em uma caixinha cheia de sonhos.

Talvez, neste dia saudoso, a caixinha de sonhos esteja abandonada,
mas, não perdida.
Cabe a cada um de nós, recuperarmos nossos sonhos,
revisá-los e transformar pelo menos um deles em realidade,
quem sabe viajar assim que o aeroporto abrir,
ou simplesmente dizer “eu te amo” para alguém que anda esperando essa declaração…

O tempo continua sendo marcado por segundos, minutos e horas…
A vida segue intransigente com quem perde o tempo com banalidades.
Traz marcas indeléveis ou não na face dos aflitos,
gente que ainda não percebeu, que o tempo é todo seu.

Use seu tempo com sabedoria, para não virar uma velha foto na estante do tempo…
Paulo Roberto Gaefke
19 de Dezembro de 2020 – o ano que insiste em não acabar…