Histórias de sucesso

Histórias de sucesso de pessoas que venceram as suas próprias dificuldades são motivadoras e nos levam a reflexões importantes, e em muitos casos, a fazer a mudança em nós mesmos.
A história de hoje é de uma antropóloga que graças a obesidade teve um câncer de mama aos 21 anos e logo depois um AVC. Com muito esforço e amor próprio, reduziu 102 KG sem remédios mágicos, sem cirurgias e sem milagres, mas com muita determinação.
Acompanhe:

Sílvia M. Bonini Regiani é antropóloga e autora do livro Mulhersegura.com, que já está na segunda edição. O site do livro recebe 3 milhões de acessos por mês

Emagreci 102 quilos em quatro anos. Obesidade mata e todo mundo acaba recorrendo ao método mais rápido, que é a cirurgia de redução de estômago. E, no caso das mulheres, é mais difícil emagrecer porque o metabolismo é mais lento. Mas eu tive que quebrar essa barreira. E tomei essa decisão porque não queria mais ser discriminada.


Silvia, no auge de sua obesidade (à esq.), quando pouco se deixava fotografar e hoje, com um sorriso de verdadeira felicidade e segurança no rosto
Venho de uma família boa de mesa, mas ninguém me mandava comer quatro pratos numa única refeição – quem passou dos limites fui eu. Em 2003 eu estava com 180 quilos, em estado de coma do diabetes e ainda tinha hipotiroidismo. No meu caso, comer significava morrer. Eu não tinha outra saída a não ser me reeducar. Primeiro, pensei em fazer cirurgia, mas o médico disse que não podia me operar porque meu organismo não ia aguentar. Ele me deu de quatro a seis meses de vida. Eu tinha só 27 anos. Comi a vida inteira e iria morrer por causa disso?

No fundo, eu sabia que ele estava certo. Não caminhava uma quadra sem ficar ofegante, tinha problema para abaixar e amarrar o sapato, irritabilidade, dor de cabeça… Até eu entender o que estava acontecendo, demorou muito tempo. O obeso não é feliz. Ele come sentimento, não comida. A obesidade é uma droga.



Eu, que comia dois quilos de comida no almoço, uma pizza gigante e dois litros de refrigerante no jantar, voltei para casa pensando se ia me matar ou me tratar. Mas não queria me tratar. “Como vou me tratar se a única coisa que me restou é comer?”, eu pensava. Desde pequena sou obesa, agressiva e ninguém nunca parou para me escutar – por isso, vivia me defendendo. Eu pensei em três maneiras de me matar, uma delas era ir ao supermercado, fazer o último jantar e tomar veneno. Comprei uma latinha de Neocid, um veneno de pulga. Tomei tudo e não aconteceu nada. Dormi muito e acordei que nem uma santa. Acordei ótima – fazia tempo que não dormia tão bem porque sofria de insônia e síndrome do pânico. Então resolvi criar vergonha e me tratar.

Aos 21 anos tive câncer de mama, causado pela obesidade. Há três anos, tive um AVC (acidente vascular cerebral) e perdi 75% da visão do olho esquerdo. Em que Sílvia eu havia me transformado, quem eu era? Eu precisava buscar essa resposta e tinha que pôr o dedo na ferida para vencer a doença. Quando fui ao endocrinologista, ele me montou um cardápio de 1200 calorias diárias. No começo não foi fácil. Eu fazia meu prato, sentava, rezava e começava a chorar. Isso durou nove meses. Comecei a caminhar 250 metros de manhã porque não aguentava mais do que isso. Hoje percorro diariamente 8 quilômetros entre caminhada e corrida. Depois de um mês, tinha emagrecido cinco quilos. Os primeiros 13 foram por causa do remédio para a tireóide. Depois, só no regime. Entrei para a natação e comecei a praticar dança flamenca. Hoje estou com 67 quilos, 1,81 metro e 33 anos. Devo chegar a 64 quilos porque, se engordar 10, não ficarei ruim. Se chegar aos 80, posso voltar a me descontrolar.


No meio do tratamento você fracassa, erra… Percebi que eu mesma tinha feito isso comigo. Mas consegui provar que, com atividade física, endocrinologista, psiquiatra e sem remédio é possível. E além de tudo, produzo menos lixo. Passei a ter relações sociais. Antes, eu me escondia, quando não agredia alguém. Meu amor por mim me salvou. Se hoje meus órgãos funcionam bem, é lógico que terei uma estética bonita. Antes, eu me escondia da vaidade. Hoje, sempre tenho um sorriso no rosto.”


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About Author:

Nascido em Diadema, SP no primeiro dia de janeiro de 1961, capricorniano que adora a vida e conhecer as pessoas, apesar de adorar a reclusão do meu lar. Pai, avô, irmão, filho, cristão, budista, evangélico, católico, espírita, templário, abduzido, desencontrado e meio incerto, assim sou eu... Paulo Roberto Gaefke no Google +

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